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Exército: defesa e desenvolvimento nacional

Hoje, 19 de abril, dia do Exército, tive a imensa satisfação de receber a medalha Ordem do Mérito Militar, em minha cidade Campo Grande, na sede do Comando Militar do Oeste, por indicação do Comandante Militar do Oeste, General de Exército, Gerson Menandro.

Fiquei muito contente por ser merecedor da mais elevada distinção honorífica do nosso Exército. Doravante faço parte de um grupo de pessoas que essa Instituição homenageia, desde o ano de 1934, por ter prestado notáveis serviços à pátria.

Eu tenho respeito e profunda admiração por nossas Forças Armadas. Dediquei parte importante da minha vida ao Exército, que nasceu graças a união de brancos, negros, índios e mestiços.

A famosa vitória na Batalha dos Guararapes, ocorrida em 19 de abril de 1648, nos morros próximos da cidade de Recife, Pernambuco, contra as forças invasoras holandesas, representou o início formal dessa gloriosa força militar.

Esse “batismo de fogo” criou as condições objetivas para que nosso Exército ganhasse densidade, capilaridade, respeito internacional e a confiança do povo brasileiro. De lá para cá, essa instituição tem se dedicado a defender os interesses estratégicos do país e a contribuir com o desenvolvimento nacional em todas as dimensões.

Em qualquer parte do Brasil a mão amiga do Exército está presente. Seja na Amazônia, na Caatinga nordestina, no Pampa gaúcho, no Cerrado, no Pantanal ou nas fronteiras, essa força, normalmente com muitas dificuldades, está vigilante e operosa. O papel do Exército na história do Brasil é muito relevante. Podemos afirmar que foi essa força que garantiu avanços políticos importantes e a unidade nacional.

De uma ponta a outra do país falamos a mesma língua e cultivamos valores culturais similares. O mesmo não acontece com muitos dos nossos vizinhos. A consolidação da independência do Brasil, que aconteceu anos depois do Grito do Ipiranga, de 1822, se deve muito a ação do nosso Exército e a figura do jovem oficial Duque de Caxias. Ele liderou o processo de pacificação desmobilizando todas as tentativas de fragmentação territorial e social do país.

As lutas que culminaram com a Emancipação dos Escravos em 1888 tiveram a contribuição do Exército. Os comandantes militares se negavam a perseguir escravos foragidos. Não aceitavam cumprir a triste tarefa de Capitão do Mato. Essa estratégia foi muito importante na luta contra o escravismo.

A Proclamação da República em 1889, como todos sabem, foi construída na caserna. O Marechal Deodoro da Fonseca e outros militares positivistas, ao lado de bravos republicanos civis, livraram o Brasil do claudicante e ultrapassado sistema político imperial.  A revolução de 1930, que colocou o país no caminho da industrialização e destruiu as práticas da chamada “política do café com leite”, contou com o luxuoso apoio dos jovens tenentes da época. Eles defendiam um Brasil moderno, ético e socialmente justo.

Podemos falar do papel relevante que o Exército cumpriu nos campos gelados da Itália, na 2ª Guerra Mundial, quando nossos pracinhas fizeram a “cobra fumar” e não esqueceram de “sentar a pua” naqueles que negavam a possiblidade de construção de um mundo plural, democrático, pacífico e integrado. Posso falar da atuação do Exército no campo educacional, na pesquisa aplicada, nas engenharias, no desenvolvimento de novas tecnologias, na medicina, na comunicação, na economia, no apoio às comunidades isoladas, no esporte e em outros tantos campos.

Também posso destacar o papel internacional que nosso Exército cumpre. Não são poucas as missões que participa objetivando dirimir conflitos, garantir a paz entre Nações e contribuir com iniciativas humanistas em consequência de desastres naturais e outros.

Agora mesmo, estamos recebendo, de volta, milhares de soldados que foram cumprir missão humanitária no Haiti. A Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti foi criada por Resolução do Conselho de Segurança da ONU, em fevereiro 2004, para restabelecer a segurança e normalidade institucional do país após sucessivos episódios de turbulência política e violência.

A participação dos militares brasileiros é reconhecida pelo povo haitiano e por autoridades internacionais pela desenvoltura com que combinam funções militares, com atividades sociais e de cunho humanitário.

Nosso reconhecimento a esses heróis que ajudam a divulgar nossa cultura de paz e harmonia pelo mundo.

Não posso terminar sem destacar, rapidamente, a importância do Exército na construção histórica de Mato Grosso do Sul. O Estado sedia várias unidades militares e tem um contingente expressivo de soldados. Essa força está formalmente presente no Sul de Mato Grosso desde 1775, quando foi construído e ocupado o Forte de Coimbra, que fica às margens do Rio Paraguai, embora existam registros de que o cerrado de MS já era palmilhado por patrulhas do Exército muito antes desse evento.

Depois, em 1776, foi construído o Forte Príncipe da Beira, em Ladário, também no Rio Paraguai. Os militares desses fortes e de outras guarnições cumpriram papel militar e social importantes. Eram eles que apoiavam as comunidades indígenas e outros povos da fronteira que viviam isolados. 

Quando as Forças Armadas do Paraguai invadiram o Brasil, em dezembro de 1864, pela Fronteira Oeste, foi o Exército, com poucos soldados e armamentos, quem enfrentou os primeiros duros golpes do invasor. 

Foi o Exército, claro, quem expulsou os invasores e devolveu o território e a paz àqueles que moravam e trabalhavam no Sul de Mato Grosso. O livro -  A Retirada da Laguna, de Visconde Taunay, retrata com competência e elegância o drama dessa guerra.

Mas posso frisar, também, que foi o Exército, por meio da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso, empreitada liderada pelo Marechal Cândido Rondon, quem instalou o telégrafo em nosso estado, ligando essa região com o Rio de Janeiro e outras capitais.

Rondon é lembrado como um Soldado que estendeu fios, postes, abriu estradas e construiu pontes, bem como estabeleceu contatos amistosos com diversas tribos indígenas que viviam isoladas.  Eu conheço bem os feitos do grande Rondon. Fui um dos presidentes do Projeto Rondon em meu Estado. Pude conhecer a visão integradora e humanista do bom Marechal.

Falei de coisas do passado, mas, nos dias atuais, o Exército continua firme no trabalho de defesa da fronteira e proteção às comunidades mais vulneráveis, como os indígenas e os povos que habitam o Bioma Pantanal.

Eu tive o prazer de conhecer parte importante das iniciativas dessa força para impedir o tráfico, assassinatos, contrabando, descaminho e outros crimes que acontecem na fronteira de Mato Grosso do Sul. Fiquei muito impressionado com o SISFRON-  Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, mecanismo criado para aumentar a proteção às fronteiras brasileiras. Esse sistema foi desenvolvido pelo Exército e envolve radares, sistemas de comunicação e veículos aéreos não tripulados.

Não menos importantes são as iniciativas comunitárias do Exército como o combate à dengue, campanhas de vacinação e atendimento às vítimas de enchentes e outros eventos naturais que afetam famílias nos municípios do Estado. Campo Grande, minha cidade, está recuperando parte importante da pavimentação das suas ruas. O Exército aceitou participar desse esforço ficando responsável pelo trabalho em algumas avenidas. Reputo como alvissareira essa iniciativa. O Exército tem longa tradição com construção pesada.

Encerrando, quero dizer que no mês de abril há comemorações relevantes sobre a história do Brasil. O dia 19 é o dia do Exército e do índio. 21 de abril, por sua vez, é lembrado em função da trágica morte de um importante militar brasileiro, Tiradentes, que colocou sua vida e sua inteligência a serviço do Exército e de um Brasil livre, desenvolvido e socialmente justo.

 

Pedro Chaves é senador pelo PSC de Mato Groso do Sul.

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