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DIREITOS HUMANOS: AINDA UM DESAFIO

O recente levantamento da Fundação Abrinq divulgou mais um trágico dado para o estado de Alagoas. Dois terços da juventude alagoana encontram-se em situação de pobreza. O número é alarmante, contudo, não surpreende, especialmente quando o cruzamos com os outros dados referentes a esse segmento etário da população.

Alagoas ostenta o índice de maior número de homicídios entre os jovens negros, e teve o maior aumento no encarceramento juvenil entre as Unidades da Federação. A sensação de que resta à juventude a escolha entre a penitenciária e o cemitério parece se confirmar quando se identifica que temos o maior número de jovens fora da escola e do mercado de trabalho.

Nesse sentido, falar em Direitos Humanos no estado de Alagoas é, na verdade, é na verdade falar da sua ausência, de uma situação crítica que condena gerações inteiras à morte, ao cárcere e à negação de direitos. A realidade demonstra que a garantia das condições mais basilares de dignidade ainda está muito distante para parcelas enormes da população. 

A tragédia social posta, fruto da inação histórica dos grupos economicamente hegemônicos que se revezam no poder político, tem como consequência visível um caos social que afeta a todos. A realidade se impõe como uma espiral catastrófica em que pobreza, violência e ausência de direitos se enraízam com maior profundidade a cada dia.

Nesse cenário, urge o desenvolvimento das políticas públicas necessárias para a reversão desse quadro. Mais do que nunca se necessita que o Estado seja capaz de garantir o acesso às efetivas condições de resgate da dignidade de parcelas cada vez mais significativas da população.

Contudo, em contraposição as necessidades colocadas por esse quadro, o que se observa é um processo preocupante e avassalador de retirada de direitos. A grave crise econômica se coloca como justificativa fácil para a inversão prática de prioridades, em que as pessoas expostas a maior condição de vulnerabilidade ficam cada vez mais abaixo na lista de prioridades do poder público.

Portanto, em um momento em que as mazelas sociais históricas são escancaradas, e em que o poder público se abstém de suas obrigações, resta à sociedade civil organizar-se e ser protagonista na construção de uma agenda de promoção de direitos humanos capaz de responder à altura os desafios colocados.

 

Jonas Cavalcante é presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos.

 
 
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