Bela, a Sereia da Pajuçara

Quinta-feira, 5 de outubro, Maceió acordou com o Canto de Bela, a sereia da Pajuçara. Uma enorme escultura criada pelo talentoso Mestre Zezinho, moço de Campo Alegre que já espalhou mundão afora inúmeras obras do seu trabalho popular como artesão reconhecidamente diferenciado. Tudo o que gera polêmica e disse me disse, na essência tem mais para positivo e bom. “Não se joga pedras em árvore que não dá frutos”, diz a sabedoria popular. Bela, como a batizei, foi o centro das atenções do final de semana e protagonizou dezenas de visitas ansiosamente curiosas para conhecê-la. Direcionar os olhos para o alto, admirar ou censurar aquela estátua gigante, colorida e sensual, como as sereias escritas nas lendas de pescadores. Sim, o sensual está nos olhos e na imaginação de cada um! Entre postagens lúcidas ou simplesmente pejorativas, elogiosas ou críticas contundentes, as redes sociais proporcionaram significativo espaço para a nova moradora da majestática Pajuçara. Fui lá conferir aproveitando minhas andanças matinais, no calor dos primeiros raios do sol. Apenas estranhei o fato de o artista não deixá-la com os seios desnudos como a outra deusa dos mares que há décadas protege, a distância, a Praia do Pratagy. Coitada, desrespeitosamente relegada ao abandono, ferida com gravidade na cauda, deteriorando-se com tempo sem ter ninguém para lhe socorrer. A Bela da Pajuçara talvez ficasse melhor num campo mais aberto, não tão próximo, ofuscando a estátua de bronze do saudoso Paulo Gracindo. Apenas detalhe, simplesmente detalhe de ótica visual! Bela é a pura expressão da arte popular inspirada na sabedoria, concebida pela habilidade das mãos de um escultor ilustre que os alagoanos têm orgulho de chamar de seu: Mestre Zezinho é nosso! Tão importante quanto outros doutores da arte e cultura no passado e presente que igualmente nos enchem de vaidade. “Entre as folhas dos coqueirais dessa joia tão cara que és tu Pajuçara”, disse um dia Mestre Lua. A sereia será o centro das atenções para a gravação de imagens de ângulos diversos que serão vistas em longínquos lugares tendo ao fundo o verde e azul do nosso mar, decorado pelas jangadas que repousam nas areias da praia. Mais tarde, quem sabe, até os críticos de oportunidade vão terminar morrendo de amores por Bela! Mas, não basta ter símbolos expressivos que eternizem a nossa história, cultura e costumes. Na orla urbana existem marcos significativos que não recebem atenção para preservá-los. É o caso da Sereia do Paratagy e a Estátua da Liberdade, única no Brasil: Nova Iorque, Paris e Maceió. Uma relíquia para ser perpetuada, construída pelo francês Frédéric Auguste Bartholdi, o mesmo artista que esculpiu a estátua cartão postal de Nova Iorque. A Sereia do Pratagy e Estátua da Liberdade do Jaraguá são monumentos históricos que podem vir a se transformar graça ao desprezo, apenas em saudades, assim como o Menino Mijão da Praça Sinimbu e o finado Gogó da Ema, tragado pela fúria da maré.

Aloísio Alves é publicitário e membro efetivo da Apalca.

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