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Maluf atua como conselheiro de Michel Temer

Barra de São Miguel, AL - Símbolo da gatunagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), procurado em quase todos os países do mundo, o deputado Paulo Maluf fez veemente defesa do mandato de Michel Temer na Câmara dos Deputados. O discurso de Maluf na Comissão de Constituição e Justiça, que analisa a segunda denúncia contra o presidente da república, consagra a tão conhecida frase “diz-me com quem andas que eu te direi quem és”. Maluf acusou o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fazer “terrorismo” contra a economia brasileira, por coincidência o mesmo discurso preparado pelo Planalto para defender Temer dos crimes da Lava Jato.

Maluf foi condenado pelo STF a pena de 7 anos e 9 meses de prisão em regime fechado e a perda do mandato de deputado pelo crime de lavagem de dinheiro. O deputado responde por desvio de dinheiro das obras da avenida Água Espraiada (atual avenida Roberto Marinho), construída por um consórcio de empreiteiras. Mas em vez da cadeia, onde realmente é o seu lugar, continua frequentando a Câmara como se nada tivesse acontecido. Numa entrevista ao repórter Roberto Cabrini, do SBT, no último domingo, ele se disse feliz com a vida que leva aos 85 anos.

No final da conversa com o repórter mostrou-se saudosista dos cargos que exerceu em São Paulo – governador biônico e prefeito. Na maior cara de pau, confessou que algum prefeito um dia vai se lembrar de dar o seu nome a uma avenida importante de São Paulo. Esse é o time do presidente, a seleção de craques que vai à tribuna defender o indefensável. Dizer que não passam de lorotas dos procuradores as acusações contra o chefe. Que o presidente deles é um homem honrado, perseguido pelos procuradores inconvenientes que querem prender o presidente e seus amigos que vivem escondidos dentro do Palácio do Planalto, como lá dentro cumprissem pena por antecipação, a exemplo de Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Esse mesmo Maluf, que já passou alguns meses numa cela da Polícia Federal, também recebeu nos jardins da sua mansão uma comitiva, chefiada por Lula, que pedia seu apoio para a campanha de Haddad, o ex-prefeito petista que os paulistas mandaram para casa no final do primeiro mandato. Rejeitado pela maioria dos brasileiros que enxergam nele um dos maiores corruptos do Brasil, condenado em outros países, Maluf sempre foi bem aquinhoado com as benesses do poder por seus políticos apadrinhados.

Nesse momento, o deputado defende o mandato de Temer. Conhece-o de outros carnavais de São Paulo. O presidente, enroscado nos crimes de corrupção, em nenhum momento desautorizou Maluf a fazer a sua defesa. Pelo contrário, até o incentiva porque sabe o peso de cada voto dentro da Câmara para permanecer no cargo. Maluf é velho malandro da política. Sabe amealhar, como ninguém, apoios desde que se apresentou como candidato a presidente para disputar o colégio eleitoral na ditadura militar. Naquela época, um índio o acusou de iludi-lo. Juruna, deputado pelo Rio de Janeiro, apresentou a Câmara pacotes de dinheiro que chegaram às suas mãos pelos assessores do Maluf para comprar o voto dele.

Maluf negou e tudo ficou por isso mesmo. Quase trinta anos depois, o deputado paulista aparece em público fazendo a defesa de Temer sobre quem pesa a acusação de receber pilhas de dinheiro dos empresários Joesley e Wesley. Com toda essa experiência dos bastidores políticos, não devemos duvidar que Maluf seria o principal conselheiro de Temer para tirá-lo dessa enrascada. A julgar pelo tempo que o deputado continua solto, mesmo depois das condenações por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, trata-se de um expert no assunto.

Maluf é, hoje, a maior referência da incompetência da Justiça brasileira que o mantém solto, atuando livremente no parlamento.

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