Mais estarrecedores do que a reclamação salarial da Ministra Luislinda foram os dados revelados pelo 11º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: 61.619 assassinatos registrados no ano passado (fora os não registrados), 7 mortes violentas por hora, 49.497 estupros (novamente só os registrados). 4.657 feminicídios, etc. , fazendo de 2016 o ano mais violento da história do Brasil.

Uma nítida comprovação de que o Estatuto do Desarmamento, de 2003, não funcionou: os criminosos estão hoje mais fortemente armados do que antes, enquanto a sociedade continua indefesa.

Mata-se mais gente no Brasil em um ano do que todo o efetivo que os Estados Unidos perderam na guerra do Vietnã.

O artigo 60 do famoso Estatuto do Desarmamento diz: “é proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional”. Os legisladores se esqueceram de acrescentar: menos para os criminosos, aos quais esta legislação não se aplica. É a velha história: não combinaram antes com o inimigo...

Em 14 anos de vigência, o fato é que o Estatuto não trouxe nenhum benefício. Nunca tanta gente morreu baleada, inclusive atingida por bala perdida, uma excrescência nacional que está nos noticiários todos os dias.

É constrangedora a constatação de que o Estado não consegue impedir a entrada clandestina de milhares de metralhadoras e fuzis automáticos de última geração, de fazer inveja às Forças Armadas e às polícias, que continuam combatendo com pistolas Taurus .40 que não funcionam. Todos viram na TV os bandidos fazendo  arrastão no Morumbi, em São Paulo, portanto metralhadoras de grosso calibre com a maior tranquilidade.

O Estado não consegue nem vai conseguir impedir o aparelhamento do crime, pelo menos no futuro próximo, já que não existe uma política nacional de segurança e o setor é terra de ninguém, com muitos caciques e poucos índios: um verdadeiro salve-se quem puder. Todos os dias há relatos de apreensões vultosas de armas importadas, e todas de uso restrito.

Ainda recentemente o presidente Michel Temer sancionou lei tornando o porte de fuzis crime hediondo. Os bandidos não ficaram nem um pouquinho preocupados, pois estão fora do alcance da lei. Se essa lei não fosse pura demagogia, até que poderia ser interpretada como gozação, como se algum cidadão decente, estes que trabalham e pagam os impostos que sustentam os maus políticos encastelados no poder (há os bons, é claro), tivesse um arsenal em casa ou no porta luvas do carro.

A verdade é que o Estatuto desarmou as pessoas de bem e se mostrou inútil para impedir que o crime organizado e o desorganizado se armasse como jamais se viu. E derrogou o instituto da legítima defesa, proibindo que os cidadãos exerçam o direito mais sagrado e de última instância que existe, o de preservar a sua vida e a de sua família.

Hoje, somos reféns do crime.

Sem falar na guerra que se trava no Rio de Janeiro, que é outro capítulo horripilante da novela de terror que estamos vivendo, nunca foi tão fácil fazer arrastão, invadir casas, furtar e roubar a torto e a direito e praticar toda a sorte de barbaridades. Os marginais sabem que a vítima não pode se defender. Portanto, agem com uma audácia e um grau de liberdade espantosos, além de serem acobertados pelo manto da impunidade, que faz do nosso país um maravilhoso, tropical e ensolarado paraíso para criminosos de qualquer espécie, sejam eles de colarinho branco, marrom, preto, ou sem colarinho, esses pés de chinelo que andam pelas ruas infernizando a população para roubar celulares e comprar drogas.

Eu mesmo já fui assaltado três vezes em São Paulo, uma delas ao meio dia, sol a pino, na esquina das Avenidas Faria Lima e Rebouças, local nobre e movimentadíssimo. Minha mulher também foi assaltada três vezes, na frente de todo o mundo e a poucas quadras de uma delegacia, e nada aconteceu: os ladrões saíram caminhando, lépidos e faceiros, com o produto do roubo à mão armada.

Nosso sítio de fim-de-semana em Morungaba também foi arrombado três vezes  (três parece ser o meu número de azar), limparam tudo e nada foi recuperado. Coloquei um cartaz na entrada dizendo: senhores ladrões, por favor, assaltem e arrombem somente nos dias  de semana, mas não nos sábados e domingos quando estamos aqui. Deu certo, mas o resultado é que nosso lindo sítio, construído com amor e carinho, está à venda.

Sei que com estas linhas corro o risco de ser criticado pelos “politicamente corretos”, aqueles que acham que arma é e deve continuar sendo monopólio de bandido e que elas, em poder de cidadãos honestos e cumpridores da lei, gerarão mais violência, como se fossemos sair por aí como loucos  passando fogo em todo o  mundo.

Mas tenho certeza de que se os meliantes soubessem que eventualmente poderíamos nos defender, pensariam duas vezes antes de agir.

E nós nos sentiríamos menos indefesos e impotentes.

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