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Aplausos, Maluf continua na cela e Brasil não assume

Barra de São Miguel, AL - Existem algumas críticas quanto a intervenção da justiça nos atos do poder executivo. Dizem alguns legalistas que é da competência exclusiva do presidente da república a nomeação de seus ministros. Ao pé da letra, convenhamos, esses puristas estão certo. Mas o que dizer das nomeações de ministros incompetentes e desqualificados, muitos deles atolados em maracutaias? Quando essas indicações da presidência ferem a decência, a ética e a moral a justiça tem que intervir, sim. Intervir para evitar que órgãos públicos se transformem em balcões de negócios em ano eleitoral, como é o caso do Ministério do Trabalho que teria como titular Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidiário, delator do mensalão.

 

Ora, se todo poder emana do povo, como diz a Constituição Federal de 88, no seu art. 1, parágrafo 1, então, quem decide é o povo. E me parece que o povo não compartilha desses atos desabonadores da Cristiane Brasil e do seu pai. Da forma atabalhoada que o Temer escolhe hoje os seus ministros, não seria surpresa a nomeação do Fernandinho Beira Mar para o ministério da Justiça se o critério utilizado para escolha for os antecedentes criminais dos candidatos ou o tempo de permanência na cadeia.

 

O ano começa bem com o impedimento de Cristiane para o ministério do Trabalho e a confirmação de que o Maluf, antes procurado em mais de 120 países por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, permanecerá no aconchego de uma cela na Papuda. Os peritos do IML de Brasília concluíram que a doença dele pode ser tratada lá dentro, onde o deputado faz companhia ao ex-senador Luiz Estevão e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. Maluf, que antes da prisão desfilava pelos corredores da Câmara dos Deputados leve e fagueiro, roubou mais de 1 bilhão de reais quando esteve à frente da Prefeitura de São Paulo. Ao ser preso encenou uma peça mambembe de terceira categoria.

 

O deputado precisa pagar pelos crimes que cometeu contra o povo paulista. E é na cadeia que esse senhor, que vivia sob o manto da impunidade, tem que permanecer. O ministro Edson Fachin, que o mandou para cela, e a presidente do STF, Carmem Lúcia, que manteve a decisão, deram demonstração de que não estão submetidos a influência de advogados marqueteiros que usam a mídia para pressionar o tribunal, quando não conseguem fazer uma defesa convincente dos seus clientes.

 

Pelo menos nesse caso do Maluf, a justiça age coerentemente, pois o juiz Bruno Aielo Macacari, da Vara de Execuções Penas de Brasilia, também está convencido de que o lugar do Maluf é na cadeia. O deputado, que nega insistentemente ter dinheiro em bancos na Suíça, é o mais cínico de todos os réus presos por corrupção. Mesmo com a repatriação do dinheiro, ele continua negando as contas no exterior. Como não tem colaborado com a justiça para devolver a propina, deve cumprir a pena integralmente, pois vai deixar para seus herdeiros os milhões que amealhou indevidamente quando administrou São Paulo. Ardiloso, Maluf não quer, aos 86 anos, fazer delação premiada para não deixar seus familiares desamparados.

 

A justiça acertou nesses dois casos. O caso da Cristiane Brasil é o mais recente. Indicada pelo PTB, logo os escândalos dela apareceram na imprensa. Aluguel de carro em locadoras fajutas, dívidas trabalhistas pagas pela sua chefe de gabinete na Câmara, e outros malfeitos da deputada que enchem diariamente o noticiário diário das TVs e dos jornais.

 

Inconformado com a decisão da justiça, Temer quer o enfrentamento, sem respeitar a opinião pública. Insiste em derrubar as duas decisões da justiça que impedem a posse de Cristiane Brasil, desgastando mais ainda o seu governo tão impopular e deteriorado. Não percebeu que a deputada já foi defenestrada antes de assumir o cargo. E se assumir, não terá direito nem ao cafezinho, pois o garçom não a reconhecerá como autoridade pela sua desqualificação.

 

Se o Roberto Jefferson pensava que iria limpar o nome da família pode tirar o cavalinho da chuva. O Temer esforça-se para isso, mas o povo, de onde emana o poder, jamais perdoará os crimes contra o patrimônio público praticados por ele e pela corja petista no processo do mensalão.

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