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INTERVENÇÃO OU MORTE!

Antes do tempo da televisão, quando o noticiário dependia exclusivamente dos jornais e das rádios, ouvia-se muito de nossa gente uma costumeira expressão: “deu no rádio”, e o que “dava no rádio”, em face da honradez, da isenção e da confiabilidade nos profissionais que nos traziam as notícias, tudo se tinha como verdade.

Naquela época de hábitos simples, ingênuos, de vícios e desvios verdadeiramente leves se comparados com a torpeza e a vilania da vida atual, não raro se escutava nos bondes, nas ruas e praças, nos cafés da esquina um comentário: Sabia disso? Soube daquilo? Pois é pura verdade, deu no rádio. Daí a notícia corria lentamente.

Pois bem lembrei que era assim quando deu no rádio do carro, ou melhor, como agora é moderno e chique se falar, quando foi veiculada uma matéria a respeito dessa tal intervenção federal que aí está.

Desta feita, como em outras, escuto tudo com um pouco de tristeza e indignação porque a tal matéria sofisticada, hoje produzida como um show pirotécnico, não é mais a simples, a verdadeira, a autêntica e a isenta notícia que “dava no rádio” de antigamente. Na grande maioria dos casos na imprensa “Gransciniana” de nossos dias, nada mais são do que perversos e torpes meios para deturpar a compreensão do ouvinte com o propósito de induzir, de alienar e de convencê-lo, visando a atender primeiramente os interesses dos poderosos donos dos meios de comunicação.

O tal importante canal de notícias propagava pela voz gasguita de uma locutora – certamente ali colocada para marcar posição a favor do feminismo politicamente correto – que a intervenção decretada pelo Governo Federal no Rio de Janeiro vinha de ser uma medida realmente necessária, mas chamava atenção para que todos estivessem de olho porque tinha militar metido no meio, o que por si só era de assustar, mais até do que a ação dos sanguinários do tráfico, na medida em que a situação lembrava os tais “anos de chumbo”, “odiados por todos”(?).

Para escandalizar e induzir o incauto ouvinte do Rio de Janeiro, logo se deu a palavra a um desses “esquerdinhas de champanhota”, saudado com entusiasmo como o maior especialista em “carioquices” do pedaço o qual, forçando e frisando uma voz com sotaque gaysista, gritou de lá: “olha tem que fazer algo sim para assustar esses horrorosos meliantes, mas cuidado, não se pode prendê-los a torto e a direita ou procurá-los em qualquer casa de favela sem autorização prévia do pessoal dos “direitos dos manos”.

Continuando, o comentarista demonizou a fala de um general de dias atrás, afirmando que para o sucesso da Intervenção os militares, depois de agir, não poderiam ficar à mercê, por exemplo e para começo de conversa, da sanha da esquerda mal intencionada, promotora das fundamentalistas “Comissões da Verdade”, frutos das comichões que deram nos covardes que, em 1964, fugiram e se esconderam com o “rabo entre as pernas”. O histérico baitola enfatizou que o general estava se contrapondo à esquerda traiçoeira, porque certamente estaria pretendendo que se torturassem os bandidos, quais sejam, umas pobres vítimas da sociedade.

A grande sorte do povo brasileiro ainda é que nossa esquerda, além de corrupta, naturalmente, é farsante e incompetente e, por si só, em dois tempos naquele programa radiofônico derrubou a própria cantilena que antes levou horas sendo disseminada.

De um momento para o outro a locutora se descuidou e alguém colocou, ao vivo, a voz de uma moradora nascida e criada na favela a quem perguntaram sobre o assunto em debate. A speaker deve ter ficado tonta e com ela o faccioso deformador de opinião, quando ouviram da mulher: “tem que intervir com força bruta; tem que atirar para matar sim, senão morre; tem que entrar em tudo que é casa mesmo atrás do bandido; tem que revistar qualquer lugar, beco, viela ou subida porque o bandido fugindo da polícia salta de um lugar para outro, de casa em casa, e nos dando tapa na cara, entram nas nossas casas, comem tudo, dormem e ai de nós se reclamarmos de qualquer coisa”. “A senhora já teve sua casa invadida mais de uma vez por dois ou três bandidos e teve que passar a noite agarrada com eles” (?), perguntou a pobre mulher. Gostaria muito de estar naquele momento no estúdio da rádio para ver a cara daqueles radialistas idiotas e mal-intencionados.

Tudo isso, entretanto, não decorre de um caso episódico ou isolado. É muito mais do que isso. É sem dúvida resultado de uma postura, de uma linha de ação ideológica e programática das quais se vale não só a esquerda corrupta e atrasada, mas também a direita usurpadora e voraz e tanto assim é que contra a intervenção federal na área da segurança de um Estado falido e em guerra já se manifestaram as corrompidas associações de bairros ou de comunidades, além da banda podre e venal do Judiciário defensora de bandidos, bem como igualmente o legislativo corrupto, as facciosas associações acólitas dos advogados de criminosos e as meliantes entidades sociais.

Contra a tal intervenção vi publicado outro dia, na coluna social de um jornalão – assinada por um ex-agente da KGB no Brasil, que aqui viveu com nome e identidade falsos, na década de 1970, hoje mix de colunista social que não se igualará jamais ao talento do elegante Maneco Miller (Jacinto de Thormes) ou o do lendário Ibrahim Sueed, nem que morra e nasça mil vezes – a notícia de que umas dirigentes sanguessugas de entidades profissionais iriam constituir um grupo para patrulhar as ações militares, em defesa do estado de direito democrático. Essa gente covarde não se enxerga. Penso que antes disto deveriam esses doentes patrulhar seus protegidos no crime, enquanto assassinam e violam os direitos dos homens de bem.

E por tudo que já vemos a Intervenção de agora nos custará “os olhos da cara” e não resolverá coisa alguma. A intervenção que resolveria seria a promovida pelo povo que, exercendo o poder direto que lhe confere a Constituição Federal, desse um murro na mesa para afastar aqueles que levaram a Nação Brasileira ao caos econômico, moral e social e que deste arrancam suas vantagens e benesses. Talvez nossa classe média, que a esquerda tanto quer destruir porque odiada pelas Chaui’s da vida, pudesse dar o pontapé inicial.

Já pensaram numa intervenção que, de uma só vez, nos livrasse de toda a classe política desprezível (de senador a vereador), que nos últimos 30 anos rouba e sangra os cofres públicos? Já imaginaram se retirarem dos príncipes e dos mandarins da máquina pública os lacaios oficiais que puxam suas cadeiras, suas majestosas capas pretas, suas gordas remunerações, suas enormes aposentadorias, além de seu código de privilégios e ainda os obrigasse ao ponto funcional de entrada e saída da repartição, como qualquer trabalhador comum? Já pensaram na felicidade do povão se os bancos e os chupins da riqueza nacional fossem impedidos de arrancarem do suor de nossa gente suas dezenas de bilhões de lucros?  Tudo isso e o mais que viesse nesta toada resultaria numa vida melhor. Dos outros tipos de intervenção, que nos empurram goela abaixo, resulta a morte da esperança.

Vou repetir para firmar. Somente auguro que os generais de quatro estrelas que estão ingenuamente (?) se permitindo, mais esta vez, ao calhorda jogo dos políticos não acabem ultrajando seus companheiros de armas ao entrar numa empreitada que venha desmoralizar a única e última instituição confiável nesta “Terra de Santa Cruz”: as Forças Armadas.

No Brasil chegamos a uma situação tão decepcionante, ou seja, descemos tanto ladeira abaixo, que se surge uma chance qualquer de atacarmos uma das nossas muitas mazelas sociais, primeiro daquela desacreditamos porque proposta por uma gente no mínimo inconfiável e, em segundo lugar, com a mesma nos desencantamos porque para deprava-la outros torpes interesses se levantam.

 

José Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-ME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

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