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O uso de palavras da moda no Brasil

Pouca gente lembra do musical My Fair Lady (1964), com a inigualável Audrey Hepburn, a sempre Bonequinha de Luxo, ao lado de Rex Harrison. Hepburn fazia a personagem Eliza Doolittle, uma mendiga que vendia flores e que foi transformada em uma dama da alta sociedade pelo Professor Harry (Harrison). E, como seu vocabulário era muito simples, o professor ensinou-lhe algumas frases para conversar com a grã-finagem. Mais tarde, Marília Pêra encenava personagem que, para ser chique, usava jargões, como: concordo plenamente, como preferir, bonito traje o seu. Não lembro o nome da novela...

O Brasil, dos últimos 40 anos, fez desfilar uma lista de expressões, sobretudo no mundo corporativo, que se transformaram em palavras de moda. Aliás, a primeira delas é corporativismo, que foi semeada como “o lado associativo em torno de uma boa causa”. Mais tarde, o mesmo corporativismo passa a ter um significado nefasto quando aplicado à corrupção. O certo é que eu não sei se a resiliência tem sido menos conjurada do que o empoderamento, ambas são teimosas. Porém, posso garantir que o termo concerto, dando uma ideia de uma assembleia decisória, foi, por muito tempo, usado no mais alto escalão do governo. Assim como foi: arranjo, eficiência e eficácia; destas últimas, não tenho boas recordações. Não mais que: revitalizar ou otimizar. Só perde para holística. Quem consegue derrubar tais paradigmas? Maior deles: a sazonalidade do uso de tais expressões e seus custos no mercado de consultoria.

O fato é que algumas destas palavras crescem no conceito e se transformam, até mesmo, em temas de conferências ou oficinas, os famosos workshops com direito a brunch no coffee break. Não há demanda (outra pérola) na criatividade para dizer pausa do café, afinal você não é um workaholic (viciado em trabalho). Razão pela qual a sinergia é a melhor coisa para criar um clima organizacional. E, como know-how, esse é o melhor feedback. Esse último virou um clássico.

O problema é que o português é uma língua tão pobre, que a todo instante temos necessidade de usar um vocábulo inglês que termina sem tradução literal, mas que todo mundo entende. Não sei como Portugal aceitou esse acordo infeliz para unificar o idioma. São loucos! A língua falada no Brasil, hoje, é uma desgraça. Se você, leitor, observar, de todos os lados aparece alguém com um neologismo escroto (não é literal) que vira moda. É o must! Palavrinha degenerada que durou uma década.

E, para finalizar, nada melhor do que ser um CEO, que quer dizer chief executive officer, ou seja, o mandachuva da empresa. É engraçado porque o CEO é o topo do organograma. O Zeus do Olimpo! O todo-poderoso! Aquele que lutou pelo o empoderamento com muita resiliência.

Benedito Ramos é escritor.

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