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Viva as mulheres

Não posso deixar de render minhas homenagens às Ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia, cujos votos decisivos lavaram nossa alma mandando o Lula para a prisão, onde está confortavelmente acomodado. Não só lavaram nossa alma como também protegeram a imagem do Supremo Tribunal Federal, que ficaria ainda mais comprometida do que já está junto à opinião pública se o Habeas Corpus preventivo da jararaca tivesse sido casuisticamente concedido.

Foi uma derrota até certo ponto inesperada para a banda de ministros que quer soltar todo o mundo e que não queria prender Lula de jeito nenhum, apesar de todas as provas contra ele. Aliás, esta de libertar todo o mundo até que pode ser uma boa, já que 40% dos presos nem sequer foram julgados. O horripilante problema da superpopulação dos presídios estaria resolvido.

No caso do Lula, é bom lembrar que ele responde a vários outros processos além do triplex do Guarujá, que o condenou. Vem por aí casos conhecidos como o do sítio de Atibaia, o da cobertura vizinha ao seu apartamento em São Bernardo do Campo, o do terreno para construção do Instituto Lula, o da compra dos 36 caças suecos, o do recebimento de dinheiro da Odebrecht para liberar linhas de credito no BNDES, o da propina recebida de empresas do setor automobilístico e o que o acusa de idealizar e liderar a enorme organização criminosa que recebeu cerca de um bilhão e meio de reais de desvio de dinheiro não só da Petrobras, como do BNDES e do Ministério do Planejamento. Quando Lula for condenado por todos estes crimes baterá o recorde de Sérgio Cabral, que já tem mais de cem anos de cadeia nas costas.

Graças à vergonhosa mudança de opinião daquele ministro campeão da Libertadores, que faz caras, bocas e gestos caricatos para as câmaras de TV, a turma laxativa do STF estava certa de que o placar do HC do Lula seria 6 a 5 a favor deles, que contavam com o voto de Rosa Weber, que surpreendeu positivamente a todos nós. O dela foi um voto magnífico, de coerência e dignidade. Coerência porque reafirmou a prevalência da recente decisão majoritária tomada pela Corte; de dignidade porque em nome da preservação da jurisprudência do Supremo e da estabilidade jurídica que este órgão deve promover, votou contra as suas próprias convicções, uma vez que já tinha se manifestado contra a possibilidade de prisão de réus condenados em segunda instância no histórico julgamento de 2016, que colocou o país na rota do combate à impunidade.

Fez valer a tese de que a lei é igual para todos, como tem que ser.

 

Foi uma vitória do Brasil, que quer ver o nosso país do futuro livre da corrupção e com os bandidos na cadeia, como acontece em qualquer nação civilizada. De lá eles podem espernear e recorrer por anos a fio, desde que tenham grana suficiente para sustentar advogados caríssimos, coisa que os ladrões de colarinho branco têm às pampas.

Aquele memorável entendimento, por incrível que pareça, continua sendo ameaçado. Basta ver a fúria e o destempero de Marco Antonio Mello, que quer melar tudo fazendo com que o tema volte ao plenário, onde ele imagina que sairá vencedor por 6 a 5 ao contrário, graças ao voto errático e capcioso do vira casaca. Como temos assistido pela TV Justiça, o irascível e destemperado Marco Aurélio fica furioso com quem ouse discordar dele e insiste em rediscutir o assunto, que já transitou em julgado no Supremo mais de uma vez. Seus companheiros nesta cruzada em favor da impunidade batem palmas aos políticos, amigos e poderosos de qualquer espécie que fazem lobby feroz e público para tentar mudar o voto de outros ministros, como Alexandre de Moraes, conforme revela o Estadão de sexta-feira. Trata-se, sem dúvida, de um movimento poderoso, já que capitaneado abertamente pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Todos eles morrem de medo de serem vitimas do “Efeito Orloff”: “eu sou você amanhã”, brilhante “slogan” da campanha criada pela agência que eu dirigia, a Standard, Ogilvy & Mather, hoje apenas Ogilvy, em homenagem ao seu inesquecível fundador.

 

Os lobistas do retrocesso estão confiantes de que se o assunto voltar a ser discutido eles ganharão a parada. Eles, que ainda imaginam contar com o voto de Rosa Weber para consumar mais esta vergonha nacional, podem estar redondamente enganados. A Ministra já demonstrou ter suficiente brio para resistir à pressão da bandidagem. Votou pela continuidade da prisão do poderoso Antonio Palocci, apesar da cólera do famigerado ministro “pop star” e enfrentando Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio.

Por tudo isso, Rosa Weber e Carmen Lucia merecem o título de modernas heroínas do Brasil.

 

Rosa pelos seus magníficos votos; Carmen pelos seus votos e pela sua brava determinação de não pautar o tema preferido dos corruptos que assolam o país.

Viva as mulheres.

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