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Ledo Ivo – uma comenda

Dias atrás, acompanhado de inúmeros amigos, compareci ao plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas para receber a Comenda Ledo Ivo, diploma justificado “pelos relevantes serviços literários prestados ao Estado”. Fiquei muito feliz, pois aquela homenagem solidificou minha certeza de que, querendo, o homem tudo consegue, apesar de a busca pela confiança ser das mais complicadas. Para conquistá-la precisamos trabalhar, focar nos detalhes, ser mentalmente fortes, sem jamais esquecer os feitos do passado. Nossa história é a grande companheira dos momentos difíceis. Ali, ao agradecer, falando de improviso, disse mais ou menos:

Como Caetano, caminhando, sem lenço e sem documento, eu vou, por que não?
“Recebo com humildade esta preciosa Comenda já outorgada a outros alagoanos ilustres, prometendo não medir esforços para enaltecer a cultura, em nosso Estado, defendendo o saber e buscando incentivar tantos quantos desejem trilhar o ensolarado e fértil caminho das letras. Entendo ser, esta nobre atividade, uma das formas de libertação do ser racional. Quem sabe pensar desenvolve opiniões próprias e passa a atuar, como poder independente, em um mundo moderno onde ele próprio detém, em suas mãos mortais, o imortal arbítrio de abolir todas as formas de pobreza humana”.

Apesar de Alagoas ser um dos menores estados da República, sua grandeza não se resume à beleza das praias ou das lagoas que o nomeiam. Sem dúvida estas são características importantes, mas, é necessário, também, mencionar a cultura de nossa terra, diretamente proporcional à pujança e inteligência de muitos de seus filhos. A cultura é um elemento maravilhoso nos unindo e identificando como seres humanos. Sem ela, jamais poderíamos nos considerar, sequer, uma nação, porque enseja o reconhecimento mútuo de traços coletivos.

Dediquei décadas de minha vida ao ensino e foi, como docente da Universidade Federal de Alagoas, lecionando a alunos de Engenharia e Arquitetura que, durante aquele período de cátedra, por dezenas de vezes, paraninfei turmas em colação de grau. Em uma de minhas orações, recordo, adverti meus ex-alunos, já então colegas de profissão, que, como profissionais, conviveriam com um povo divorciado da cultura, cada vez mais encolhido em sua fome e ignorância, cabendo-lhes aprenderem, cada vez mais. De que valeriam os grandes livros se não os pudéssemos ler? O que importariam as imortais sinfonias, não sabendo-as ouvir? 

Ao fim de minhas palavras, citei trecho da canção Alegria, Alegria de Caetano Veloso, “Caminhando, sem lenço e sem documento, eu vou, por que não!” Todos devemos caminhar livres, crer nas instituições e na democracia, pois elas inexistem, sem um povo livre, possuidor do dom de pensar, ler e escrever, como já registrou o renomado poeta: “A força de um povo equivale à força da sua sabedoria e cultura”.

Agradeço a Deus por iluminar meu caminho! Agradeço ao Deputado Francisco Holanda pela indicação do meu nome ao recebimento deste importante laurel, agradeço à minha família, razão maior do meu viver, e a todos os amigos que prestigiaram o evento.

Alberto Rostand Lanverly é presidente da Academia Alagoana de Letras.

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