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A escada da humildade o levou à mansão dos justos

Vladimir Calheiros foi grande.
Em 1979, o então comandante da poderosa esquadra chamada OAM – maior complexo de comunicação do Nordeste – o economista Fernando Collor de Melo deixava a liderança das Gazetas para ingressar definitivamente na vida pública, aos 29 anos, como Prefeito de Maceió. Antes, porém, teve o cuidado de escalar um time de primeira grandeza para dar sequência ao trabalho outrora iniciado pelo empreendedor e Senador da República, Arnon Mello, seu pai. Orgulhosamente fui convidado para fazer parte dessa plêiade de talentos que tinha a missão de gerir o jornal preferido dos alagoanos, a Gazeta de Alagoas. Um desafio cujo timoneiro executivo seria um grande mestre: Vladimir Calheiros. Conhecia-o pelas proezas como destacado jornalista desde os tempos de diretor de redação do Jornal do Comércio, do Recife, quando publicou a histórica edição sobre a invasão de Praga pela União Soviética. Nosso primeiro encontro pessoal ocorreu na avant première da equipe em reunião na residência de Zacarias Santana, no bairro do Farol. “Zaca”, como o chamávamos, era um homem simples de uma nobreza ilimitada que doou sua vida profissional ao jornal com sabedoria. Foi lá que Collor anunciou seu irmão Pedro como sucessor no comando geral das empresas. Pela elegância no trato com os novos companheiros de diretoria, sorriso aberto, espirituoso nas colocações, respeitoso ao ouvir opiniões contraditórias, Vladimir conquistou a confiança e a simpatia dos colegas executivos. Duas vezes vencedor do Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro, troféu exclusivo dos craques das redações. Falei pouco na reunião, estava chegando e era o mais jovem assumindo uma tarefa de grande responsabilidade diante de tantos experientes e capazes. Sua ousadia em buscar a notícia era tamanha que conseguiu, nas locas dos morros no tórrido sertão pernambucano, entrevistar o mais temido pistoleiro do Nordeste nos anos 70, Floro Novais, matéria de grande repercussão! Mesmo afastado das redações, era comum visitar velhos amigos para conversar sobre jornalismo, permanentemente atento e com espírito editorialista. Numa dessas passagens, presenteou com seu livro de memórias o não menos brilhante Ênio Lins, atual Secretário de Comunicação do Estado. No diálogo entre ambos, fala da marcante história quando ele e outros camaradas, em visita a Berlim Oriental, acabaram se intrometendo nas ruínas do bunker final de Adolf Hitler – espaço mais que proibido para visitações e que terminou sendo destruído para não virar polo de peregrinação para o neonazismo. Trabalhar com Vladimir foi um privilégio, mesmo atuando em atividades distintas na empresa. Com seu espírito de respeito e capacidade de transmitir ensinamentos aos principiantes, ajudá-los a crescer, aprendi bastante; aprendi com a coerência das atitudes no relacionamento com os outros. Na Gazeta e tempos depois, desta feita como membros do Conselho Estadual de Comunicação no Governo Ronaldo Lessa, hoje e sempre, Vladimir Calheiros, profissional e cidadão, haverá de merecer os meus calorosos aplausos. “Não será difícil ser humilde quando se é grande. Difícil é ser humilde quando se é medíocre”, escreveu o professor Virgílio Ferreira, também renomado escritor português. Vladimir foi grande!

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