Publicidade
BB é a cara do governo: ruim, chato e impopular

Vitória - O Banco do Brasil é  a cara desse governo: ruim, impopular, chato e decadente. Em nome da modernidade esqueceu o seu bem maior, o cliente. A máquina travou, o atendimento é péssimo, os funcionários vivem mal-humorados como se tivessem sido contaminados por aquela mulher antipática que aparece na televisão gritando como se fosse uma louca desvairada. Na outra ponta, os Correios, que já foram um exemplo de eficiência, vivem a sua pior fase, desacreditados e ineficientes.  Receber uma correspondência em qualquer lugar do país é um drama.

Os funcionários dessas dois órgão são unânimes em afirmar que torná-los ineficientes tem o propósito de privatizá-los. Alvo de bandidos até recentemente, o BB e os Correios se transformaram em um covil de políticos inescrupulosos que encheram suas diretorias de incompetentes. Do Postalis, por exemplo, o fundo dos funcionários dos Correios, foram roubados milhões de reais. E do BB, os escândalos se sucederam na presidência de Aldemir Bendine, condenado a 11 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O banco, no entanto, saiu dos trilhos depois que o Temer nomeou o economista Paulo Caffarelli, homem ligado a Guido Mantega, de quem foi seu secretário-executivo no Ministério da Fazenda, ex-executivo da CSN. Para tornar a máquina eficiente, ele abriu o pacote de demissão de cerca de 20 mil funcionários, dos 115 mil existentes. Essa estratégia vem desde o governo FHC, quando fez o PDV e milhares de funcionários deixaram seus empregos. Nem por isso o banco virou excelência em operação e atendimento. O que se sabe é que muitos deles suicidaram-se depois que largaram o banco.

O BB – que já foi a coroa da rainha – quer se desmaterializar. Criou a Estilo que funciona como uma agência virtual, mas continua exigindo assinatura do cliente em papéis quando a transação foge dos parâmetros diários. O cuidado, no entanto, não evita que hackers invadam as contas dos correntistas para limpar seus saldos, como já aconteceu com este articulista, que viu do dia para a noite a sua conta de pessoa jurídica sendo esvaziada sem que a agência tivesse um mecanismo de defesa para evitar os saques.

A política de atendimento ao cliente hoje é a mais impessoal. Os gerentes são trocados das agências à revelia como se fossem movidos por um botão que aciona um robô e o leva para um lugar distante da sua família. O remanejamento não considera o local onde ele mora. São tratados como máquinas por um departamento de relações humanas invisível e insensível que visa apenas o lucro. Os empregados, maus remunerados, queixam-se de que o banco virou uma fábrica de doentes mentais tal o número de funcionários afetados pelo estresse diário. Além dos fechamentos das agências, das demissões em massa, o salário hoje é um dos piores do mercado.

As decisões tomadas de cima para baixo não respeitam a opinião dos empregados concursados, pois são ditadas por diretores, indiferentes aos problemas humanos e sociais, indicados pelo governo por influência de partidos políticos. O que aconteceu com as agências do BB em Portugal é um exemplo dessa má administração. Primeiro fecharam a agência de Cascais e a reação dos brasileiros que moram na cidade foi nenhuma, mesmo sendo obrigados a frequentar a sucursal de Lisboa para resolver seus problemas financeiros.

Como não houve reação, na administração de Meirelles, ministro da Fazenda, fecharam as agências do BB em Lisboa e Porto, um escândalo acobertado pela mídia que vive fartamente às custas da publicidade do banco. E o mais grave: Caffarelli autorizou que os 8 mil clientes fossem se abrigar no CTT, banco postal, que recebeu de graça todos os correntistas. Aqueles que se negaram a ir para o CTT não receberam do Banco do Brasil nenhuma assessoria de como proceder com o depósito do seu dinheiro nas agências de Lisboa e Porto, um desrespeito que vem se generalizando entre o banco e seus clientes. Caso semelhante ocorreu na Venezuela com o fechamento da representação do BB e a demissão dos 50 empregados.

No Brasil, outro desrespeito. De repente as contas dos clientes mudam de agência sem aviso prévio. Um transtorno para quem estava acostumado com a localização do seu banco próximo ao trabalho ou da sua casa. A alegação é de que alguns correntistas tinham sido promovidos a um atendimento personalizado. Como o cliente deixou de ter cara, a desconfiança então aumentou entre ele e o banco, que passou a exigir mais segurança para qualquer transação que a gerência considera atípica. Ou seja: no BB você é correntistas suspeito até prova em contrário.

Infelizmente, milhares de pessoas físicas e jurídicas não podem fechar suas contas no BB, pois existem negócios que exigem obrigatoriedade de ser transacionados no Banco do Brasil. Se fosse facultado ao cliente escolher outra agência para movimentar suas contas especiais, certamente o BB estaria em maus lençóis, pois ninguém, em sã consciência, suportaria ser maltratado por um banco que vive do dinheiro  do cliente, mas é indiferente aos seus apelos de civilidade e de bom atendimento.

É como já dizia o Cazuza: “Brasil mostre a tua cara”.

Publicidade
TWITTER
@colunach

 
Busca
Redes sociais
@diariodopoder
© 1998 - 2018 - Todos os direitos reservados