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Ilustre filho de Deus

O ex-presidente Lula morre de medo de avião, e isso não é de hoje. Na campanha presidencial de 1994, ele voava com um pequeno grupo de militantes e amigos para Tarauacá, cidade próxima à divisa entre Acre e Amazonas, quando uma forte turbulência sacudiu o bimotor. O avião balançava e Lula foi ficando cada vez mais nervoso, até desabafar:

- Os materialistas que se virem, para eu vou começar a rezar...

Negrão não discrimina

No final de 1994, ao chegar para uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Delcídio Amaral, o então governador gaúcho Alceu Collares se apresentou à secretária com o bom humor de sempre:

- Diga ao ministro que o Negrão chegou.

Na audiência, ele lamentou não poder ficar em Brasília para um evento importante.

- Não posso. Tenho lá no Rio Grande uma festa da colônia alemã.

- Mas o que o senhor tem em comum com a colonização alemã? – perguntou o ministro.

- Nada, mas se o Negrão não for, vão dizer que é discriminação...

Esqueçam o que eu disse

Movimentos sociais participaram da IV Conferência das Cidades, no final de 2002, Lula já eleito presidente, promovida pela Comissão do Desenvolvimento Urbano na Câmara. No auditório lotado de militantes, um deles, com camiseta engajada e boina ao estilo Che Guevara, reclamou dos prédios públicos vazios nas grandes cidades e conclamou todos a invadi-los. Parou em seguida, pensou e retificou:

- Esqueçam isso, agora a gente é governo e não podemos tomar nada.

Gargalhadas generalizadas.

Festa de neoliberal

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se queixa de quem o chama de “neoliberal”, mas seu amigo Ulysses Guimarães também não pensava grande coisa dele. Certa vez, o falecido líder peemedebista preferiu um chatíssimo jantar com o senador Franco Montoro, em Brasília, a celebrar na casa do então senador FH uma importante vitória na Justiça Eleitoral. No dia seguinte, o deputado Freitas Nobre (SP) lamentou sua ausência:

- Dava tempo de você ir. Lá no Fernando acabou às 4h da manhã...

- É, é isso mesmo, Freitas – respondeu – a esquerda festiva sempre foi muito mais agradável.

Nada como ter paciência

A mudança de comportamento do PT, que no governo atropelou todo o Código Penal, faz lembrar uma historinha contada há tempos, em Brasília, pelo jornalista e advogado Edísio Gomes de Matos. Ele se lembrava de um tio, no interior do Ceará, que tinha uma farmácia onde se jogava bicho. Um candidato a governador fez a campanha anunciando que ia acabar com o jogo do bicho e ganhou. Edísio procurou o tio, preocupado, para saber como ele se sentia diante da vitória do adversário. E o tio, sábio, respondeu:

- Não se preocupa, não, menino... Todo governo novo fica velho...

Prova para doutora Jane

Ex-governador de Pernambuco com fama e hábitos próprios, Roberto Magalhães acabara de ser eleito deputado federal. Num sábado deserto de Brasília, queixou-se de dor de dente, pediu ajuda a amigos para localizar um dentista. No fim da consulta, ele pediu:

- O sr. me dá um atestado?

- Claro. Mas, permita-me a pergunta: para que o senhor precisa de atestado?

- É para mostrar à doutora Jane.

“Doutora Jane” é como Magalhães chama a mulher, para o caso de dúvida sobre a sinceridade da sua dor.

De Quitandeiro a Megalonanico

Antes de ficar conhecido como “Megalonanico”, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim ganhou um apelido inesquecível para diplomatas da sua geração. A maldade foi do embaixador Sérgio Corrêa da Costa, com quem Amorim serviu em Londres, nos anos 1970:

- Celsinho Quitandeiro.

É que ele usava fartos bigodes, como os de um quitandeiro português.

Aos amigos, tudo

Artur Bernardes, que governou Minas Gerais e mandou no Brasil, é o autor de um princípio de hipocrisia política até hoje adotado pelos poderosos:

- Para os correligionários, tudo. Para os adversários, a lei. Quando possível.

A comadre Jackie

O prefeito José Amâncio Costa, do interior paraense, dera o nome de personalidades importantes a seus sete filhos: Nelson, Maria Antonieta, Bismarck, Wilson, Getúlio, Juscelino e Kennedy. Para o batismo deste último convidara o próprio, que não pôde vir, mas foi representado pelo cônsul americano em Belém. Poucos meses depois, Kennedy foi assassinado. Amâncio chorou copiosamente a morte do xará de seu filho. E a quem tentava consolá-lo, ele respondia:

- O que me preocupa mesmo é a minha comadre Jacqueline...

Bornal, eleitor decisivo

Eleito para o governo de Minas, em 1946, Milton Campos enfrentou um quadro muito comum a governadores recém-eleitos: sua maioria na Assembleia Legislativa era precária: um voto. Repórter iniciante, José Aparecido de Oliveira perguntou ao governista Virgílio de Melo Franco:

- Como vai ser a eleição para presidente da Assembleia?

Melo Franco respirou fundo e ensinou:

- Meu filho, essa gente não resiste ao cheiro do bornal...

Abrindo ou não o bornal, o governo ganhou a disputa. Por um voto.

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