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Brasil não é Cuba

Os jornalistas Ivanildo Sampaio e Ernani Régis contam no livro “Quincas Borba no Folclore Político” a reunião de Leonel Brizola com amigos, em 1982, quando ele decidiu disputar o governo do Rio de Janeiro. Um jovem esquerdista insistia para que o manifesto de lançamento da candidatura propusesse reforma agrária e distribuição de renda radicais. Com a prudência curtida em anos de exílio e sofrimento, Brizola descartou:

- Meu filho, o Brasil não é Cuba nem a burguesia, brasileira cabe em Miami.

Negócios à parte

Deputados do velho PSD, José Maria Alkimin, Sebastião Paes de Almeida (o “Tião Medonho”), Carlos Murilo e Bias Fortes Filho jogavam pôquer, nos anos 1960, para tricotar sobre política. Certa vez, altas horas, o anfitrião Tião Medonho pediu para encerrar a jogatina, estava cansado. Também dono da banca, Tião fez as contas: Alkimin devia Cr$ 17,00. Ele revirou os bolsos e pediu:

- Tião, me empresta Cr$ 20,00? Pago a mesa e fico com algum no bolso...

- Para você? Nunca! – reagiu Tião Medonho – Eu sei que você não vai pagar, por isso prefiro que fique me devendo Cr$ 17,00 do que Cr$ 20,00.

Humor na feira

Maurício Fruet era uma figuraça. Sem mandato em 1994, resolveu reformar sua loja, em Curitiba. Vestia roupas velhas e metia a mão na massa. Certo dia, foi caminhando da obra ao escritório. Encontrou um velho amigo, que pareceu chocado com sua roupa surrada. Fruet resolveu pregar uma peça:

- A coisa não está boa. Perdi a eleição, estou desempregado, mas vou tocando: vendo laranjas na feira...

Compadecido, o amigo enfiou discretamente em seu bolso uma nota de cem reais. No dia seguinte, às gargalhadas, Fruet o convidou para jantar e pagou a conta usando a mesma nota.

Brincadeira entre amigos

Lula, deputado, e Jair Meneghelli, presidente da CUT, seguiam para Brasília no mesmo avião, no tempo de serviço de bordo decente, com talheres inox. Jair almoçou e dormiu. Lula resolveu brincar: meteu os talheres no bolso do amigo. Chamou a comissária e entregou. Ela o cutucou, pediu os talheres e Meneghelli voltou a dormir. No desembarque, a aeromoça-cúmplice cobrou:

- O senhor poderia devolver a taça, por favor?

- Que taça?

- Esta que está no bolso de seu paletó...

Lula havia colocado a taça do vinho no bolso de Meneghelli, que só percebeu a pegadinha ao ver Lula gargalhando na pista do aeroporto.

Brahmatárctica

Lucídio Portella Nunes era governador do Piauí, em 1982, quando participou da inauguração de uma fábrica da cervejaria Antarctica. Ele carregava a fama de não tratar a língua corretamente, o que, aliás, nunca dificultou suas eleições. Lucídio mandou ver, em seu discurso:

- Agora temos uma fábrica da Antarctica para tomar Brahma a valer! 

O que na época foi gafe, virou premonição: anos depois, as duas marcas seriam adquiridas por uma mesma empresa.

Como recuperar o juízo

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força Sindical, certa vez encontrou uma maneira de fazer o então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), suspender o aumento salarial dos deputados:

- Se você colocar isso em votação, não vou convidá-lo à festa de 1º de Maio da Força. Você vai ser mais vaiado que o Severino Cavalcanti...

Chinaglia é nervoso, mas não é louco: as festas de 1º de Maio, promovidas pela Força Sindical, atraem até dois milhões de pessoas.

Decoro desnudo

No Carnaval do Rio, em 1994, criaram um factóide para fazer o então presidente Itamar Franco passar por “garanhão”: fizeram a modelo Lílian Ramos posar a seu lado sem calcinha. As fotos causaram espanto. Em Montes Claros (MG), o vereador Benedito Said (PTB) criticou a atitude do presidente, mas foi repreendido pelo presidente da sessão, que considerou “falta de decoro” citar a palavra “calcinha” naquela sacrossanta casa. Retomando a palavra, o vereador Said ironizou:

- Então, sr. presidente, retiremos as calcinhas e fiquemos com o decoro!

O código de Nabuco

Feito embaixador em Bruxelas, nos anos 1960, o ex-deputado Cirilo Júnior achava que o esperavam apenas os prazeres da vida, mas logo percebeu que havia deveres, quase sempre chatíssimos. Um assistente contou que um antigo embaixador, Maurício Nabuco, batia três vezes sobre a perna quando queria encerrar uma audiência maçante. Ao receber diretores da Vasp, Cirilo imitou Nabuco, mas os interlocutores nem percebiam o “código”. Impaciente, foi aumentando a força das pancadas até que se viu esmurrando a própria perna e gritando “Nabuco! Nabuco!” Os visitantes foram embora, assustados, e o embaixador comemorou com o assistente:

- Esse Nabuco é formidável!

Maria Barbuda é a mãe

O falecido ex-prefeito de Curitiba Maurício Fruet, uma figuraça, incorrigível gozador, estava em campanha para deputado federal, em 1986, em dobradinha com Paulo Furiatti (estadual). A caminho de um pequeno distrito de Antônio Olinto (PR), ele avisou a Futiatti para tratar muito bem a “Maria Barbuda”, dona de um bar que controlava uns cem votos, na localidade. Só não avisou que a mulher odiava o apelido. Ao chegar, Furiatti foi caloroso:

- Dona Maria Barbuda! Agora tenho honra de conhecê-la pessoalmente!

Fruet teve 1.300 votos em Antônio Olinto; Furiatti, cem a menos.

Lula e FHC: noivado

Lula e FHC hoje se detestam, mas eles já se amaram. Sua ausência na posse de Fernando Henrique Cardoso como ministro das Relações Exteriores de Itamar Franco, em 1995, foi explicada assim por um velho amigo em comum, Francisco Weffort, fundador do PT:

- Quando você gosta muito de uma moça e ela se casa com outro, você não vai ao casamento. Mesmo quando o marido é um bom sujeito como o Fernando Henrique...

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