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Sentença de morte

Papel em branco aceita tudo. Em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser seu vice prometendo renunciar em dois anos. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, reconheceu a assinatura, mas não a carta.

Moral da história: assinar em branco hoje é a sentença de morte amanhã.

Conta de somar

Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável. Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou:

- Dr. Milton, por que o senhor perdeu?

- Perdi porque ele teve mais votos, ora – disse, encerrando a conversa.

Rigor conventual

Era um almoço oferecido a empresários de outros Estados, no Palácio das Princesas, pelo então governador Roberto Magalhães. Durante a sobremesa, um dos convidados elogiou a fruta servida.

- É um fruto divino! – brincou Sileno Ribeiro, poderoso secretário do Gabinete Civil de Magalhães. Brincou com fogo.

D. Jane, a influente primeira-dama, católica fervorosa, achou que o secretário cometera blasfêmia. E exigiu sua demissão. Foi atendida.

Redondamente limitado

Se denúncias envolvendo parlamentares provocam revolta, a qualificação de boa parte deles tampouco motiva o respeito dos eleitores. Na CPI do Apagão Aéreo, o coordenador de Prevenção de Acidentes da Infraero explicava que se medem as pistas dos aeroportos com “régua milimetrada” quando o relator Marcos Maia (PT-RS) interrompeu, com ar de especialista:

- Quadrada ou redonda?

- Redonda?!?! – espantou-se o depoente, em meio a gargalhadas.

Sem contestações

Filiado à Arena, Horário Vargas quase se deu mal ao apoiar o candidato do MDB à prefeitura de Ponta Grossa (PR), em 1976. O partido se reuniu para expulsá-lo, mas na hora agá ele nem sequer foi admoestado.

- Você tinha muito apoio? – quis saber um repórter, intrigado.

- 38 – respondeu o político, secamente.

- Votos?

- 38 cano longo, carga dupla...

Eu bebo, sim

Flores da Cunha foi um dos maiores líderes políticos do Rio Grande do Sul. Mesmo com a reputação de emérito boêmio, chegado ao carteado, às bebidas e às mulheres, como acusou um adversário, num comício:

- Não bebo, não jogo e nem ando com mulheres de vida duvidosa!

O líder gaúcho ganhou a eleição admitindo, sem medo de ser feliz:

- Pois eu bebo, fumo, jogo, ando com mulheres... E tenho votos.

Acordo salvador

O vereador Totó Bezerra, de Teresina (PI), fotógrafo, certa vez recebeu em sua loja – vizinha a um banco – a visita do deputado João Clímaco. De repente chegou um eleitor e pediu dinheiro emprestado ao vereador. Clímaco meteu o bedelho para livrar o amigo da encrenca:

- Você está vendo o banco aqui do lado? – perguntou ao eleitor – Pois o Totó não pode emprestar dinheiro a você porque tem um acordo com o banco. Nem ele empresta dinheiro, nem o banco tira retrato.

Não tem perigo

Homem recatado, Djalma Marinho sempre foi respeitado como um político sábio, no Rio Grande do Norte e em Brasília. Não era para menos. Certa vez, em campanha no interior, o veterano político acabou atraído para dançar com uma eleitora, numa festa. Um amigo resolveu brincar com a situação, mesmo sabendo do comportamento reto de Marinho:

- Dr. Djalma, e se a sua esposa ficar sabendo disso?

- Minha mulher não acredita em ressurreição, meu caro – respondeu.

Reprodutor de votos

Candidato em 1968 à prefeitura de Barretos (SP), capital da agropecuária paulista, Cristiano de Carvalho era chamado de “velho” pelos adversários. Certo dia, num comício, alguém provocou: “fala mais alto, bagaço!”. Ele respondeu na bucha:

- Eu quero lembrar que sou candidato a prefeito, e não a reprodutor. Se a cidade quer um bom reprodutor, vocês devem votar no outro. Mas se deseja um bom prefeito, votem em mim.

Ganhou a eleição.

Vantagens da soneca

O poeta chileno Pablo Neruda era conhecido pelo hábito de abandonar qualquer coisa, após o almoço, por uma boa soneca. Era candidato a presidente de seu país quando visitou o Brasil. Em uma de suas muitas entrevistas, acabaria sendo confrontado com aquele hábito que fazia as delícias dos adversários. Neruda respondeu com tranqüilidade:

- Claro, vou continuar com a sesta. Enquanto estiver dormindo, a população saberá que não lhe vou fazer nenhum mal.

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